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  • Rodrigo Giaffredo

Um plano de mudança de carreira para qualquer um começar já!

Os profissionais que desejam usar metodologias ágeis como scrum e kanban, ou inovadoras como design thinking e lean, precisam ter mais do que apenas certificações técnicas. Neste artigo, Rodrigo Giaffredo apresenta uma receita adotada por diversos profissionais do século XXI que mudam suas carreiras sistematicamente, e com sucesso. Não importa se você deseja se atualizar profissionalmente, ou mudar de carreira, este texto pode te ajudar! Acompanhe agora, passo a passo, dicas práticas sobre como se tornar o profissional do futuro mais desejado pelo mercado de trabalho!


O conceito de portfólio de carreira veio para ficar, e ao contrário do que se imagina, não se trata apenas de um privilégio de profissionais iniciantes.


Antes de mais nada, pra você não achar que eu vim aqui jogar regrinha na tua cara, eu sei que qualquer processo de mudança não acontece da noite pra o dia, e eu sei também que mudar mexe com nosso corpo e nossa mente. Seus sentidos, sua cognição, tudo começa a dar importantes sinais de saturação, te dizendo que chegou a hora de mudar, e que resistir pode se tornar um grande martírio.


Durante a semana você dorme a noite toda, mas mesmo assim acorda cansado. Não tem um pingo de vontade de levantar da cama pra ir trabalhar, mas estranhamente no fim de semana dá sete da madruga e você já está alerta.


Até que depois de ver que não tem jeito mesmo, você dá aquela respirada profunda pra ir ao trabalho, e teu peito fica apertado só de pensar no que te espera lá. E quando você finalmente chega, fica olhando pra o relógio o dia todo, vendo os minutos passarem mais devagar que uma tartaruga cansada.


Seja qual for o sinal, se você não sentir mais que ama o seu trabalho, pode ser que tenha chegado a sua hora de mudar de carreira. É sério, você não deveria ignorar esses sinais, porque no longo prazo isso pode até te deixar doente.


E deixa eu te falar que comigo não foi diferente, a não ser por um detalhe. Depois de passar pelas áreas de administração patrimonial, controladoria, consultoria, tecnologia e recursos humanos, tive a oportunidade de trabalhar com tantas pessoas que me procuraram pra pedir conselhos profissionais, principalmente para ajudá-las a tomar decisões mais bem fundamentadas sobre suas trajetórias de carreira, que acabei percebendo um padrão, que me ajudou a desenvolver uma rota infalível. Eu posso te dizer com absoluta certeza que eu só consegui ser tão bem-sucedido em todas essas guinadas profissionais, sempre em empresas de grande porte, por ter adotado, ainda sem perceber, esses comportamentos que eu vou compartilhar contigo. Quando se trata de profissionais frustrados que buscam novos ares, aprendi que eles tendem a ficar nas empresas quando são bem remunerados, orientados, desafiados, promovidos, envolvidos, apreciados, valorizados, bancados ​​e capacitados, porém nem sempre esse tempo restante que eles ficam por lá, adiando a decisão de mudar por causa desses lances mais materiais, significa que eles ficarão satisfeitos no médio e longo prazo.


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Em vez de um emprego vitalício, agora é muito mais provável que a gente queira e possa ter um portfólio de carreiras. De acordo com as estatísticas globais sobre o emprego, os profissionais mudam de carreira, em média, de 5 a 7 vezes durante a vida profissional, e eu confesso que fiquei surpreso quando percebi que comigo foi exatamente assim, até o ponto em que resolvi parar de trabalhar em empresas e abrir minha própria empresa, depois de 26 anos crescendo profissionalmente, sem parar. E tem mais, as mesmas pesquisas mostram que com um número cada vez maior de opções de carreira, 30% da força de trabalho, composta principalmente por profissionais mais jovens, já muda de carreira ou emprego a cada 12 meses. Mas isso não precisa ser exclusivamente um privilégio dos mais jovens, principalmente porque, através da construção do perfil certo, qualquer pessoa pode planejar os passos a serem dados rumo a essa transição que às vezes é super importante para que a gente se sinta mais felizes.


É fato que os pivôs da carreira são o novo normal, e as pessoas estão cada vez mais mudando de carreira em qualquer idade, mas isso não é necessariamente um fenômeno recente. Sam Walton abriu seu primeiro Wal-Mart em 1962, aos 44 anos. Samuel L. Jackson fez uma mudança de carreira e estrelou ao lado de John Travolta em Pulp Fiction em 1994, aos 46 anos. Ray Kroc tinha 59 anos quando comprou sua primeira unidade do McDonald's em 1955. Eu poderia continuar a lista com um monte de outros exemplos, mas acho que você já entendeu o meu ponto.


Pensa comigo: se a meteorologia não consegue prever com segurança como vai estar o clima daqui a 72 horas, mesmo com toda a tecnologia disponível hoje em dia, como a gente pode exigir que uma pessoa de 22 anos escolha em que carreira vai passar nos próximos 40 anos ou mais? A maioria de nós vai desejar, ainda que bem lá fundo, uma mudança de carreira em algum momento. E esse desejo pode tanto ser motivado por uma decisão consciente e planejada, como pela perda de um emprego em que a gente achava que estava seguros. Falo mais sobre este assunto nesse vídeo aqui, dá uma olhada.


Mas vamos ser sinceros aqui... o simples fato de imaginar uma mudança de carreira pode deixar tudo muito emocionante e assustador. O risco e a recompensa podem ser altos. Mas eu estou aqui pra te dizer que com uma abordagem eficaz como essa que eu vou te ensinar, o risco pode ser minimizado e a recompensa maximizada.


Para obter maior sucesso no planejamento e na execução do teu plano de mudança de carreira, você necessariamente tem que levar em conta alguns pontos fundamentais:


Primeiro, é muito importante que você tenha muita clareza sobre por que você deseja essa mudança


Tudo bem que se você parou chegou até mim, é porque não está satisfeito com sua carreira atual, mas por quê? Você passa muitas horas trabalhando? Tuas atividades não te preenchem mais? Teu salário é muito baixo em comparação com o restante do mercado? Você precisa entender por que você deseja mudar de carreira, pra garantir que o novo caminho que você deseja tomar não vai te levar pra um cenário parecido com o atual, que depois de tanto esforço te deixe na mesma situação em que você está hoje. Outra coisa, não é legal aproveitar a primeira oportunidade que aparecer só pra fugir de onde você está hoje. Você precisa tomar uma decisão consciente sobre seu futuro e avançar para ele.


Depois, você precisa entender o que você quer passar a fazer


As mesmas pesquisas globais sobre o emprego que citei anteriormente mostram que em geral as pessoas não têm queixas em relação às características cotidianas do seu trabalho. O trabalho real não importa muito. Já possibilidades como a de ajudar as pessoas, ou a capacidade de ser criativo, ou o ganho de autonomia, são alguns exemplos de outros elementos, não diretamente relacionados com as atividades desempenhadas, que fazem diferença no nosso grau de satisfação em relação a nossa carreira. E é bom ter claro que existem várias carreiras que podem oferecer as possibilidades de realização que você almeja. Ou seja, não se trata de buscar o emprego perfeito, mas sim de encontrar a oportunidade que se encaixa melhor no conjunto da obra.


Chega então a hora de pensar grande, mas sendo realista


Dependendo da sua idade e formação, o tempo para jogar futebol profissional, ou se tornar um neurocirurgião ou se sentar numa cadeira do Supremo Tribunal Federal pode ter passado. Isso faz a gente perceber que nem toda carreira possível é uma opção viável. E posso te falar? Estabelecer metas que nunca podem ser alcançadas é uma das principais causas de frustração e paralisia quando o assunto é mudar de carreira.


Não esquece de determinar as habilidades e o conhecimento necessários para sua nova carreira


Você precisa de um novo diploma? Ou da habilidade de falar em público? Tem que se inteirar mais sobre tecnologias? O que você precisa para fazer a transição para o próximo nível? Faz uma lista, e começa a desenvolver as habilidades necessárias o quanto antes, procurando sempre o maior equilíbrio possível entre investimento financeiro e priorização da aprendizagem. E vale lembrar que com a quantidade de cursos excelentes disponíveis nas plataformas digitais hoje em dia, sobre todo tipo de disciplina, é um verdadeiro sacrilégio pagar qualquer valor acima de R$ 200 para começar a se interar acerca de seja lá o que for. Cuidado com as ofertas miraculosas, e com os experts e gurus de plantão.


E quando a ansiedade bater, não abandone seu emprego atual até ter conseguido uma nova ocupação


Pode ser que nessa altura do campeonato você não tenha mais essa opção, mas se possível, aguarde até ter outra posição antes de deixar o emprego atual, mesmo que sua ideia seja empreender. É surpreendente a rapidez com que uma conta poupança pode se esgotar quando você não tem nenhuma fonte de receita. Só pra ilustrar o que estou querendo te dizer, eu mesmo trabalhei mais de um ano em paralelo na Super-Humanos Consultoria, e numa grande multinacional de tecnologia, até finalmente pedir demissão e focar na minha empresa. Nesse intervalo de tempo, eu pude validar minha ideia de negócio, formar uma boa base de clientes corporativos de grande porte, e fazer um bom pé de meia.

Mas se você perdeu seu emprego inesperadamente, considere aceitar um emprego diferente do desejado no curto prazo, mesmo que ele esteja desalinhado com tua expectativa, até que você tenha feito sua mudança de carreira com sucesso. Atividades de meio período, bastante disponíveis hoje em dia, também são uma boa ideia porque apesar de te obrigarem a apertar o cinto em função de a remuneração ser teoricamente mais baixa do que atividades de tempo integral, te dão o tempo extra de que você precisa pra se preparar e desenvolver suas novas habilidades.


Tem também uma parte chata que você não pode ignorar, que é o fato de eventualmente você ter que começar de baixo


Vamos supor que nesse momento você seja gerente de uma das 100 melhores empresas pra se trabalhar segundo alguma dessas listas da moda, mas a primeira posição que te oferecerem na nova carreira seja a de um iniciante. Pode ser que você se veja de volta em um cubículo compartilhado, trabalhando em projetos pra os quais ninguém liga. E isso é realmente esperado, já que quanto maior a alteração, maior a probabilidade de você ter realmente que começar do início.


E por último, mas não menos importante, lembra de se conectar com profissionais que já estão no na função que você deseja, e o mais rápido possível


Você conhece alguém da área para a qual quer migrar? Você pode fazer um estágio ou algum trabalho voluntário pra praticar as habilidades, na pegada do esforço extra mesmo? Existe uma posição de meio período disponível para você experimentar como é o dia a dia da profissão que almeja ter? Hoje é tão fácil se conectar com as pessoas que não deve ser muito desafiador encontrar alguém com quem você possa conversar e começar a trabalhar em rede. Veja só, eu disse em rede. No mundo real dos adultos, você tem necessariamente que ter algo a oferecer para essa rede também. Lembre-se, não existe almoço grátis.


Quero te deixar um conselho final aqui se você me permitir: quando planejar sua transição de carreira, pense nela com o nível de cuidado de quem não vai nem querer, nem precisar, fazer isso novamente no futuro. Procura com calma e profundidade o que está faltando na sua carreira atual e escolhe uma nova carreira que preencha o máximo de lacunas que você identificar, inclusive essas que eu te sugeri aqui. Aceita que você pode ter que começar sua nova carreira lá de baixo, dos primeiros andares mesmo. Mas posso te falar? Caso você escolha com sabedoria e com método, no fim das contas isso nem vai importar tanto.


O processo de reconstrução da vida profissional pode ser longo e frustrante, mas é importante lembrar que as coisas boas levam tempo. Você não quer se contentar com qualquer carreira, você veio até aqui porque quer a carreira certa. Aquela que vai te preencher pessoal e profissionalmente, então faz um favor pra si mesmo:


Não para até ter conseguido, combinado?



Rodrigo Giaffredo

Palestrante, escritor, professor. Dedicado à formação de lideranças humanizadas, e à construção de ambientes profissionais psicologicamente seguros. Cofundador da Super-Humanos Consultoria. Eleito Top Voice Brasil pelo LinkedIn e Profissional de RH do ano pela ABTD Paraná.


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