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  • Rodrigo Giaffredo

Ser demitido não te torna incompetente

Os profissionais que desejam usar metodologias ágeis como scrum e kanban, ou inovadoras como design thinking e lean, precisam ter mais do que apenas certificações técnicas. Neste artigo, Rodrigo Giaffredo apresenta uma receita adotada por diversos profissionais do século XXI que usam essas técnicas para se reinventar profissionalmente. Não importa se você deseja se atualizar profissionalmente, ou mudar de carreira, este texto pode te ajudar! Acompanhe agora, passo a passo, dicas práticas sobre como se tornar o profissional do futuro mais desejado pelo mercado de trabalho!


Existem alguns cuidados que devemos tomar durante a construção de uma carreira profissional bem-sucedida, a fim de evitar tanto a acomodação quanto a resignação.

Lembro direitinho da primeira (e única) vez em que fui demitido.


O começo da minha jornada profissional foi bem pequeno-burguês classe média pra falar a verdade.


A primeira vez que eu recebi uma grana em troca de um trabalho, foi através de um cachê de show com a banda de hardcore em que eu era vocalista.


A sensação foi incrível, de verdade… “cara, como assim, eu faço uma parada que eu adoro, e ainda sou pago por isso!”


O efeito daquela dose extra de dopamina no meu sangue foi, ao mesmo tempo, sensacional e devastador.


Sensacional pelo fato em si, o tal “ganho grana pra fazer o que amo”, e devastador exatamente pelo mesmo motivo, te explico por que.


Eu registrei no meu subconsciente que seria sempre assim, tipo, a gente faz só o que gosta, e ganha uma grana em troca disso.


Fui com essa mentalidade que eu comecei no meu primeiro emprego “de verdade”.

Trabalhei 4 anos naquela firma, daí fui ficando enjoado do trabalho e - confesso - passei a dar umas avacalhadas.


Até que o dono da lojinha me chamou pra conversar, no finalzinho de 1999, e me disse “Rodrigo, você ficou grande demais pra essa empresa, a gente não tem mais nada pra te oferecer, por isso você está livre pra alçar novos vôos ”, a metáfora educada para “toma aqui esse pé no traseiro”.


Caraca maluco, sabe aquela sensação de o estômago gelar? Minha filha nasceria em fevereiro de 2000, e em outubro de 1999 eu estava na rua.


Outra experiência devastadora, só que dessa vez o ataque foi na minha autoestima porque eu registrei no meu subconsciente uma segunda informação, numa linha tão perigosa quanto a primeira.


Eu virei aquela pessoa angustiada que repetia frenética e diariamente pra si mesmo a frase “cara, no meu próximo emprego eu vou aceitar tudo que me oferecerem, prometo… vou ser a ovelhinha mais comportada do rebanho, vou ser funcionário do mês, fazer hora-extra sem cobrar, aceito até trabalhar nos finais de semana.”


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E olha só, isso não é coisa de moleque não tá, o fato de pensar desse jeito.


Todo mundo que toma uma porrada da vida, independentemente da idade, em algum momento entra no modo “castrado”, já reparou?

Só que esse é o tipo de comportamento extremo, que do mesmo modo não nos ajuda em nada, afinal a vida não tem que ser um pêndulo de extremos toda vez, para com isso!

De 2000 até 2009 eu comi o pão que o diabo amassou nos empregos que tive na sequência - em empresas ótimas aliás, mas talvez pelo fato de eu aceitar de tudo pra ganhar uns trocados, acabei atraindo pra perto de mim muita gente tóxica (algumas pessoas legais também, mas muito poucas), e portanto passei a viver em ambientes tóxicos.


Aprendi que mesmo em empresas ótimas, existem bolhas péssimas, ou seja, não seria apostando todas as fichas da vida profissional em “marcas de renome” que eu atingiria o “Nirvana”.


E aprender isso foi a parte mais legal de toda essa história.


Em algum momento eu me permiti pensar sobre isso sem aquela mentalidade de ovelhinha - construída na base da porrada - e descobri que pra ser feliz de verdade eu precisava estar bem profissionalmente.


Cara, que sentimento libertador!


Fiquei tão determinado a tomar as rédeas da minha carreira, que abri mão duas vezes de todos os “benefícios” de anos de trabalho acumulado, pedindo demissão em companhias onde isso era praticamente um sacrilégio, algo impensável de se fazer.


E sim, se você foi indelicado o suficiente pra fazer as contas, deve ter percebido que só engrenei de verdade na minha carreira depois dos 30 anos de idade, contrariando totalmente os discursos de palco que dizem que nessa idade eu já deveria ser um milionário - já ouviram bobagens assim?


Mas por que eu estou te contando tudo isso? Pra você ficar com dozinha de mim e me oferecer colinho?


Nem ferrando!


Estou te contando porque de repente você está passando por isso agora, e se sentindo o lixo do mercado só porque alguém te demitiu, ou porque você trabalha fazendo o que não gosta, cercado de gente que não gosta, e portanto se definindo como pessoa por algo que é totalmente circunstancial.


Olha só, deixa eu te falar, você não é incompetente.


Você não é um fracasso.


Você não é um profissional de segunda categoria.


Você só está passando por um momento ruim.


E tem uma coisa que ninguém me disse durante esses 26 anos de carreira, que eu tive que descobrir sozinho e que fez muita diferença na construção da minha autoimagem profissional, e que eu quero dividir com você nesse momento - e não é ladainha de autoajuda não tá, é papo sério de quem foi demitido quando a mulher estava grávida, e mudou de emprego 3 vezes (pedindo demissão mesmo) enquanto a filhota crescia sem entender nada do que estava rolando…


Eu estou aqui pra te dizer que nenhuma opinião - além da sua - pode definir o que você é de fato.


Ser demitido não te torna incompetente. Reconhecer que não está feliz nem satisfeito com o que tem hoje não te torna alguém ingrato. Querer conviver com gente melhor não faz de você uma pessoa esnobe.


Deixa esse monte de sofismas pra lá, porque senão já já o medo do desconhecido vai acabar te paralisando, e isso sim é mortal.


Esse mundo profissional é gigantesco demais, pra não existir um espacinho que você possa ocupar de maneira feliz e próspera.


Não desiste.




Rodrigo Giaffredo

Palestrante, escritor, professor. Dedicado à formação de lideranças humanizadas, e à construção de ambientes profissionais psicologicamente seguros. Cofundador da Super-Humanos Consultoria. Eleito Top Voice Brasil pelo LinkedIn e Profissional de RH do ano pela ABTD Paraná.

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