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  • Rodrigo Giaffredo

Home office não é e nem nunca será o novo normal... sério que você ainda não percebeu?

Os profissionais que desejam usar metodologias ágeis como scrum e kanban, ou inovadoras como design thinking e lean, precisam ter mais do que apenas certificações técnicas. Neste artigo, Rodrigo Giaffredo apresenta uma receita adotada por diversos profissionais do século XXI que usam essas técnicas para se reinventar profissionalmente. Não importa se você deseja se atualizar profissionalmente, ou mudar de carreira, este texto pode te ajudar! Acompanhe agora, passo a passo, dicas práticas sobre como se tornar o profissional do futuro mais desejado pelo mercado de trabalho!


Sem querer ser grosseiro demais aqui, mas você me conhece, não dá pra ficar passando pano pra alarmista de plantão que parece que vive dentro de uma caixinha de vidro.



Primeiro eu vou apelar pra observação, vai ser um argumento mais empírico mesmo.


Depois eu vou trazer dados, porque hoje em dia se não tem dados, meu Deus, pode estar ali na sua cara que a pessoa mesmo assim quer teimar...


Mas vamos lá.


Usando a imaginação primeiro, faz uma forcinha aí vai.


Vamos pensar num dia seu bem gostosinho em casa, fazendo home office... pensou aí?


Olha quanta coisa tem que acontecer pra você poder ficar aí de boas:

- Sabe o pijama e a pantufa que você nem tirou ainda? Então, alguém teve que cultivar a plantinha, colher ela, empacotar um monte dessas plantinhas, colocar num caminhão dirigido por alguém que levou essa matéria prima até a tecelagem que deu origem ao tecido que foi manufaturado, empacotado e colocado em outro caminhão pra virar base pra pessoa que comandou as máquinas que costuraram as peças pudesse fazer seu trabalho, daí outra pessoa foi lá, empacotou as pantufas e os pijamas aos montes e passou pra outras pessoas do estoque, que passaram pra outras pessoas dos caminhões que atenderam aos pedidos de compra das lojas que adquiriram as peças, que foram vendidas e empacotadas por outras pessoas que garantiram que os pacotes chegassem na mão dos transportadores que entregaram as peças pra você, sejam elas compradas numa prateleira de loja, sejam elas compradas em algum site... ufa, que rolezão né? Mas vamos lá, não cansa não que tem mais!


- Sabe o cafezinho que você preparou agora aí? Então, deixa eu te contar... alguém teve que cultivar a plantinha, colher ela, empacotar um monte delas, colocar num caminhão dirigido por alguém que levou essa matéria prima até a fábrica que deu origem ao pacotinho delícia que foi manufaturado, incluído em fardos com outros vários pacotinhos iguais a ele e colocado em outro caminhão pra virar base pra pessoa que comandou as máquinas que colocaram o pózinho dentro das embalagens à vácuo ou cápsulas plásticas mágicas que a gente coloca nas maquininhas coloridas, daí outra pessoa foi lá, empacotou os cafezinhos aos montes e passou pra outras pessoas do estoque, que passaram pra outras pessoas dos caminhões que atenderam aos pedidos de compra das lojas que adquiriram as embalagens e as capsulinhas, que foram vendidas e empacotadas por outras pessoas que garantiram que os pacotinhos chegassem na mão dos transportadores que entregaram a mercadoria pra você, sejam elas compradas numa prateleira de loja, sejam elas compradas em algum site... ufa, que rolezão né? Mas vamos lá, não cansa não que tem mais!


- Sabe a mesa em que seu computador está apoiado agora? Então, não sei se você sabe, mas alguém teve que cultivar a madeira, extrair ela, empacotar um monte de toras, colocar num caminhão dirigido por alguém que levou essa matéria prima até a marcenaria gigantesca que deu origem às tábuas que foram manufaturadas, empacotadas e colocadas em outro caminhão pra virar base pra pessoa que comandou as máquinas que cortam e encaixam as peças pudesse fazer seu trabalho, daí outra pessoa foi lá, empacotou as mesas aos montes e passou pra outras pessoas do estoque, que passaram pra outras pessoas dos caminhões que atenderam aos pedidos de compra das lojas que adquiriram as mesas, que foram vendidas e empacotadas por outras pessoas que garantiram que os pacotes chegassem na mão dos transportadores que entregaram a mesa pra você, seja ela comprada numa prateleira de loja, sejam ela comprada em algum site... ufa, que rolezão né? Mas vamos lá, não cansa não que tem mais!


- Sabe a cadeira que você está sentado? Então...


- Sabe a comida que chegou prontinha aí na sua casa, pedida pelo aplicativo? Então...


- Sabe a manutenção das antenas e cabos de fibra pra você poder usar o kanban e o vídeo numa internet boa? Então...


- Sabe o celular, aquele usado pra postar foto sobre como é delícia o mundo do home office - ou não? Então...


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A essa altura do campeonato eu realmente espero que você já tenha pego meu ponto, dessa maneira mais empírica, mas se não for esse o seu caso, bora pegar uma linha mais iluminada de argumentação pra ver se você entende.

O IBGE mantém 2 sites que eu gosto de acompanhar: um é o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), com dados interessantes sobre o emprego. Eu gosto de dados, daí sempre dou uma olhada no que está rolando por lá. No momento em que eu te escrevo esse texto por exemplo, consigo ver que o Brasil tem pouco mais de 33 milhões de empregos com registro em carteira neste exato momento.


Tá, eu sei, os dados do CAGED não incluem profissionais liberais, pessoal que trabalha na informalidade, autônomos, etc. mas cara, prossegue comigo no raciocínio antes de dar chilique.


Daí tem o 2 site mantido pelo IBGE que eu aprendi a gostar que é o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que em 2020 incluiu dados sobre os impactos do Covid-19 sobre o emprego, e lá eu vi neste exato momento que pouco mais de 8 milhões de profissionais brasileiros estão trabalhando home office.


Vamos lá, acompanha o tio nessa continha super difícil agora, presta atenção pra não bugar... 8 dividido por 33 dá? Isso mesmo, perto de 25%.


Aproximadamente 25% dos brasileiros empregados trabalham home office atualmente.

De repente 90% de nós que teremos contato com este texto estaremos exatamente entre estes 25% de profissionais que podem trabalhar de casa, mas se a gente pegar um micro alfinete e estourar a camada fina dessa bolha em que a gente vive, vai perceber que home-office-novo-normal é o caramba né?


O cara que fala isso provavelmente vive num país que importa pijama, pantufa, café, mesa, cadeira, comida, minérios e gadgets produzidos em outros países, tipo o nosso, daí é óbvio que a realidade dele vai ser diferente da nossa... engraçado que no geral os países dos analistas tem um número total de habitantes igual ou menor a muito bairro da minha cidade...


Como isso pode ser o novo normal gente, me explica?


Se apenas 25% dos empregos de um país são passíveis de serem executados de casa, é óbvio que home office não é, e nem nunca vai ser, o novo normal por aqui.


Somos um país exportador de produtos que vão da agricultura à tecnologia de ponta, com muita indústria de manufatura, com um sistema logístico enorme, e com muita, mas muita gente mesmo, tendo que se virar todos os dias vendendo coisas nas ruas por aí, voando muito abaixo do radar das estatísticas oficiais do emprego e das regulações, e tudo isso na maioria das vezes apenas pra poder colocar comida dentro de casa.


Para de repetir ladainha de pesquisador que nem imagina o que acontece por aqui vai...


Você não precisa passar essa vergonha.




Rodrigo Giaffredo

Palestrante, escritor, professor. Dedicado à formação de lideranças humanizadas, e à construção de ambientes profissionais psicologicamente seguros. Cofundador da Super-Humanos Consultoria. Eleito Top Voice Brasil pelo LinkedIn e Profissional de RH do ano pela ABTD Paraná.


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