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  • Rodrigo Giaffredo

Como a celebração do erro corrói sua capacidade de inovar

Atualizado: há 5 dias


Antes de reagir de forma impulsiva à afirmação feita no título desse artigo, quero te convidar a viajar mentalmente comigo para alguns cenários bastante comuns em ambientes de negócios, e de execução de trabalhos em geral (remunerados ou não).


Num primeiro contexto, imagine situações onde existam erros conhecidos.


Neles, o acerto é sorte, e a falha é certa, portanto você há de convir que não há o que celebrar.


Há também o contexto das boas práticas, onde o acerto é esperado, e o erro evitável.


Novamente, convenhamos, não há o que celebrar.


No entanto, há momentos em que seremos submetidos a experimentos, onde as chances de erro e acerto são equivalentes.


Portanto tanto um quanto o outro, ou alimentam nossa base de erros conhecidos, ou alimentam nossa base de boas práticas. Minha sugestão é que apenas em situações como esta, nos permitamos celebrar algo, que não o erro. Nosso capital intelectual cresce independentemente de acertarmos ou errarmos durante experimentos, desde que (e apenas se) atualizemos nossas bases, tanto de erros conhecidos quanto de boas práticas, e façamos com que este capital seja compartilhado com o conjunto maior de indivíduos que interage conosco, no contexto para que o experimento foi criado.


Veja que não se trata de celebrar o erro, mas sim a aprendizagem.

Não aprendemos nada quando apenas repetimos as boas práticas, e podemos até aprender algo quando elas falham, porém você há de convir que isso é raro acontecer.


Também não aprendemos nada quando repetimos erros conhecidos, e novamente podemos aprender algo quando eles não acontecem, muito mais num golpe de sorte do que por qualquer outro motivo.


Note que celebrar a falha inclui celebrar aquilo que acontece quando partimos na direção dos erros conhecidos, o que não faria o menor sentido, pense bem.

Celebrar o sucesso pode até fazer mais sentido numa primeira análise, porém não necessariamente resultará em aprendizagem (vale frisar que em minha opinião, comunicar e repetir boas práticas é uma das ações mais efetivas para o aumento da eficiência operacional de qualquer organização).


Já quando experimentamos, acontece o que costumo chamar de nível ótimo de aprendizagem, pois tanto o sucesso quanto a falha podem nos levar ao nível de reflexão ideal para a adoção daquilo que aprendemos que funciona, e para o cuidado com aquilo que aprendemos que não funciona.


Outro ponto controverso sobre o mito do erro, mais especificamente relacionado ao potencial de capitalização das aprendizagens, é a aparente oposição entre redes informais, e hierarquia.


Sem juízo de valor a respeito de qualquer desses modelos, devemos admitir que as redes são excelentes para levantar hipóteses relevantes, criar oportunidades de experimentação, e explorar novas possibilidades.


Mas é inquestionável o fato de que, após a conclusão dos experimentos, podemos usar a hierarquia para escalar as boas práticas e repetir o sucesso da aprendizagem de maneira rápida e uníssona.


Em toda a minha experiência profissional, e mais ainda agora como consultor de transformações organizacionais complexas em empresas tradicionais de grande porte, percebo que empresas saudáveis são justamente as que usam as redes para criar, inovar e aumentar a eficácia operacional, e usam a hierarquia para melhorar a qualidade, a previsibilidade e a eficiência das diferentes cadeias de valor.


Portanto, deixo aqui um conselho: cuidado com o mito da celebração do erro.

Ele pode corroer sua capacidade de inovar, principalmente se encarado apenas como mais uma forma de acalanto organizacional, gerando acomodação e estagnação, além de resultar num acordo tácito de mediocridade que, no médio-longo prazo, pode colocar sua empresa em maus lençóis.


E se ao invés de celebrarmos o erro, nós nos indignássemos com ele ao ponto de, por força de nossa resiliência e vontade de acertar, ele se tornar uma aprendizagem capitalizável para nós mesmos, e para os demais?



Rodrigo Giaffredo


Empresário, palestrante, escritor, professor. Dedicado à formação de lideranças humanizadas, e à construção de ambientes profissionais psicologicamente seguros. Cofundador da Super-Humanos Consultoria. Eleito Top Voice Brasil pelo LinkedIn e Profissional de RH do ano pela ABTD Paraná.



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* Texto baseado nas ideias de Jurgen Appelo.

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